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Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026: contribuições para o desenvolvimento rural

  • Foto do escritor: Gabriela Borges de Paula
    Gabriela Borges de Paula
  • 25 de fev.
  • 3 min de leitura

As mulheres têm participação relevante nos sistemas agroalimentares em diferentes regiões do mundo, atuando na produção de alimentos, na gestão de atividades rurais e na manutenção das comunidades no campo. O reconhecimento dessa atuação ganhou destaque internacional com a declaração de 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas e coordenada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

De acordo com a FAO, cerca de 36% das mulheres ocupadas no mundo atuam em sistemas agroalimentares, e dados mais recentes indicam que 39,6% da força de trabalho agrícola global é composta por mulheres, considerando agricultura, silvicultura e pesca. Esses dados demonstram a importância objetiva da participação feminina para o funcionamento dos sistemas produtivos, a segurança alimentar e o desenvolvimento rural.

Participação feminina e desafios estruturais

Apesar da presença expressiva, ainda existem diferenças no acesso a recursos produtivos essenciais, como terra, crédito, assistência técnica e tecnologia. Essas limitações afetam a capacidade produtiva, a renda e a inserção das mulheres nos processos de tomada de decisão no meio rural.

Organismos internacionais, como a FAO e a ONU Mulheres, indicam que a redução dessas desigualdades pode gerar ganhos econômicos e produtivos, além de contribuir para a diminuição da insegurança alimentar. Projeções apontam que, caso as condições atuais sejam mantidas, 351 milhões de mulheres e meninas poderão viver em situação de pobreza extrema até 2030, especialmente em áreas rurais, onde os desafios estruturais são mais evidentes.

O cenário brasileiro e o papel das cooperativas

No Brasil, a participação das mulheres na gestão rural apresentou crescimento nas últimas décadas. Entre 1998 e 2020, houve um aumento de 38% no número de estabelecimentos agropecuários administrados por mulheres, com destaque para a agricultura familiar, segmento responsável por parcela significativa da produção de alimentos no país.

Em Santa Catarina, esse movimento é particularmente relevante. Dos 183 mil estabelecimentos rurais existentes no estado, cerca de 170 mil pertencem à agricultura familiar, e aproximadamente 19 mil são gerenciados por mulheres. Além disso, mais de 1,8 milhão de mulheres catarinenses são associadas a cooperativas, o que evidencia a importância do cooperativismo como instrumento de organização produtiva e acesso a serviços.

As instituições financeiras cooperativas têm contribuído para ampliar o acesso das mulheres à terra, ao crédito, à assistência técnica e à tecnologia, apoiando a modernização das atividades rurais e a melhoria da gestão das propriedades. Esse apoio favorece o desenvolvimento regional e a sustentabilidade econômica do meio rural.

A agenda do Ano Internacional da Mulher Agricultora está alinhada a iniciativas mais amplas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável, como a Década Interamericana pelos Direitos de Mulheres, Adolescentes e Meninas em Contextos Rurais (2024–2034) e a Agenda de Ação Beijing+30. Essas iniciativas reforçam a necessidade de políticas públicas integradas que ampliem oportunidades produtivas e promovam maior equilíbrio no acesso a recursos.

A adoção de tecnologias, ferramentas de gestão e soluções digitais no campo tem papel relevante nesse processo. O acesso à informação, à capacitação técnica e à inovação contribui para aumentar a eficiência produtiva, melhorar a gestão das propriedades e fortalecer a agricultura familiar, tornando os sistemas agroalimentares mais resilientes diante de desafios econômicos, sociais e ambientais.

A declaração de 2026 como Ano Internacional da Mulher Agricultora representa uma oportunidade para ampliar o debate sobre o papel das mulheres no meio rural e para fortalecer políticas e iniciativas voltadas ao desenvolvimento do setor agrícola. Mais do que um reconhecimento simbólico, a proposta busca incentivar ações práticas que promovam maior eficiência produtiva, inclusão econômica e sustentabilidade. O fortalecimento da participação feminina no campo contribui para sistemas agroalimentares mais equilibrados e para o desenvolvimento rural de longo prazo




 

 

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Os conteúdos dos textos publicados neste blog refletem exclusivamente a opinião dos autores e não representam, necessariamente, as opiniões do Centro de Estudos em Mercado e Tecnologias no Agronegócio da Universidade Federal de Lavras (AGRITECH UFLA), da Universidade Federal de Lavras (UFLA) ou das agências de fomento que financiam as pesquisas do AGRITECH UFLA.

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