Agritech UFLA em campo: entrevistas em Caldas e Andradas fortalecem estudo sobre vitivinicultura de inverno
- Andressa Paviani
- 2 de mar.
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Na quinta-feira e na sexta-feira, (19 e 20/02/2026), realizamos uma agenda de campo no Sul de Minas Gerais para a coleta de dados da dissertação de mestrado de Andressa Paviani, membro do Agritech UFLA, com acompanhamento do Prof. Paulo Henrique Leme (orientador) e da Profa. Caroline Paiva (coorientadora). A pesquisa investiga a construção de mercado e as infraestruturas de mercado associadas à vitivinicultura de inverno em Minas Gerais.

Vitácea Brasil (Caldas). A agenda teve início com visita à Vitácea Brasil e entrevista com Murillo de Albuquerque Regina, engenheiro agrônomo que, durante sua atuação como pesquisador da Epamig, desenvolveu a técnica da dupla poda. A conversa abordou a trajetória de experimentação e difusão do manejo que altera o calendário produtivo da videira, deslocando a colheita para o inverno e viabilizando a consolidação dos vinhos de inverno em Minas Gerais, com efeitos diretos na qualidade e no posicionamento mercadológico do produto. Também foram discutidas articulações setoriais associadas a esse processo, incluindo a atuação de Murillo como membro fundador da Anprovin e os caminhos coletivos que resultaram na Indicação Geográfica Vinhos de Inverno do Sul de Minas Gerais.

Epamig Caldas (Caldas). Em seguida, visitamos a Epamig Caldas, reconhecida como o berço da vitivinicultura de inverno mineira, por concentrar os experimentos iniciais e a validação técnica que sustentaram a expansão do modelo produtivo. No local, conversamos com Renata Vieira da Mota, pesquisadora e coordenadora do Programa Estadual de Pesquisa em Vitivinicultura da Epamig, e com Cristiane Aparecida Rota, enóloga da unidade. As entrevistas aprofundaram o papel da pesquisa pública, os processos de avaliação de qualidade e o histórico de microvinificação como suporte técnico ao setor, incluindo a expectativa de retomada de atividades de vinificação voltadas ao apoio a produtores.

Heloisa Bertoli (Andradas). Ainda na quinta-feira (19/02/2026), em Andradas, entrevistamos Heloisa Bertoli, presidente do Sindicato da Indústria do Vinho de Minas Gerais (SINDVINHO-MG) e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Uva, Vinhos e Derivados no Ministério da Agricultura. O encontro permitiu discutir o ambiente institucional que sustenta a vitivinicultura mineira, com ênfase em pautas de coordenação setorial, desafios regulatórios e estratégias de fortalecimento coletivo, contribuindo para compreender as infraestruturas organizacionais associadas à construção do mercado.

Vinícola Marcon (Andradas). Na sexta-feira (20/02/2026), a coleta de dados seguiu em Andradas com visita à Vinícola Marcon, fundada em 1912 e reconhecida como uma das vinícolas mais tradicionais do país. Entrevistamos Phellipe Marcon (5ª geração) e o Sr. Paulo Marcon (3ª geração), cuja trajetória permite observar como a vitivinicultura local atravessou diferentes ciclos econômicos, mudanças regulatórias e transformações de mercado. Nesta visita, contamos também com a presença de Heloisa Bertoli, ampliando o diálogo sobre tradição produtiva e organização setorial. A agenda teve ainda cobertura da TV Andradas, que produziu uma reportagem sobre a importância da pesquisa e sobre a relevância histórica da vinícola para o território. [Assista aqui].

Vinícola Stella Valentino (Andradas). Encerramos a agenda na Vinícola Stella Valentino, com entrevista ao Sr. Procópio Stella, proprietário da vinícola e presidente da UVA-MG. O encontro permitiu discutir organização coletiva, estratégias de fortalecimento do setor e a memória do início dos experimentos que antecederam a consolidação dos vinhos de inverno no estado, incluindo o acompanhamento, pelo entrevistado, das etapas iniciais associadas ao desenvolvimento da técnica da dupla poda. Também conversamos com Emerson Rodrigo Greggio (@enologro), sommelier e idealizador do projeto Minas na Taça, ampliando o debate sobre como experiências, comunicação e mediação com o público integram as infraestruturas de mercado que sustentam a valorização do vinho mineiro.
As entrevistas e visitas realizadas foram fundamentais para a pesquisa, ao permitir triangulação entre perspectivas técnicas, produtivas e institucionais, bem como o acesso a trajetórias que ajudam a explicar como a vitivinicultura de inverno mineira se estruturou ao longo do tempo. Ao reunir vozes da pesquisa pública, de empreendimentos vitivinícolas e de lideranças setoriais, a agenda de campo fortalece a compreensão sobre os dispositivos, articulações e práticas que materializam as infraestruturas de mercado do setor. Nesse sentido, o trabalho empírico reforça a importância da pesquisa em campo para produzir análises conectadas à realidade e capazes de contribuir para o debate acadêmico e para o próprio desenvolvimento da vitivinicultura em Minas Gerais.




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